Clube Curta Mais

Redesign do clube de experiências por assinatura — da identidade visual aos fluxos críticos de uso.

ClienteCurta Mais
FunçãoUX Designer
Data7 de out. de 2025
UI DesignDesign SystemFigmaArquitura da Informação

Visão Geral do Projeto

O Clube Curta Mais é a plataforma de assinaturas do portal de notícias culturais Curta Mais — referência em Goiás para divulgação de eventos, gastronomia e experiências de lazer. Para assinantes, o Clube oferece acesso a experiências com condições exclusivas: descontos em restaurantes de alta gastronomia, shows nacionais, spas e experiências turísticas, com curadoria criteriosamente selecionada.

A presidência da empresa identificou uma dissonância: a plataforma do Clube seguia o mesmo estilo visual do portal de notícias, comunicando de forma genérica um produto que deveria transmitir exclusividade e sofisticação. A percepção era de que a interface não estava à altura das experiências oferecidas — e os dados sinalizavam declínio na adesão de assinantes, embora números específicos não tenham sido compartilhados com o time.

A Core TI Expert foi contratada para redesenhar a plataforma. Atuei como único UX/UI Designer do projeto, responsável pelo diagnóstico da plataforma atual, pela direção visual e pela prototipação da nova interface. O time era composto ainda por Tech Lead e Coordenador de Desenvolvimento da Core, e pelo proprietário, gerente de marketing e dev parceiro do Curta Mais.

Diagnóstico — O que estava errado

Antes de qualquer decisão de design, analisei a plataforma existente. Os problemas encontrados eram de duas naturezas distintas: técnicos e de experiência.

Problemas técnicos — tratados na versão atual, em paralelo ao redesign:

O mais crítico era a exibição de mensagens de erro com linhas de código diretamente para o usuário. O impacto era imediato: erosão de confiança em uma plataforma que cobra assinatura. Essa correção não esperou o redesign — o time de engenharia da Core atuou na versão existente enquanto eu avançava no design da nova interface.

Problemas de experiência — resolvidos no redesign:

O cadastro era extenso, coletando informações que não tinham uso claro para o produto. O layout apresentava elementos mal alinhados, espaçamentos irregulares e ausência de padrão tipográfico e cromático — inconsistências que contradiziam o posicionamento premium que o clube buscava.

Dois fluxos geravam reclamações recorrentes no suporte, conforme relatado pelo cliente:

Checkout sem cartão salvo: a cada compra de ingresso, o usuário precisava redigitar todos os dados do cartão — mesmo que já fosse assinante com pagamento recorrente ativo.

Dificuldade em localizar vouchers: após resgatar um voucher, o usuário precisava navegar por múltiplos níveis — Meu Perfil → Meus Cards → selecionar o estabelecimento — para exibir o código ao chegar no local. O fluxo exigia memória e tempo em um momento em que o usuário está no restaurante, com o garçom esperando.

Nota sobre as reclamações: as informações sobre checkout e vouchers foram trazidas pelo cliente como reclamações recorrentes de suporte. Ao navegar pela plataforma, consegui reproduzir os problemas diretamente — o que confirma os relatos, embora não tenhamos tido acesso a dados quantitativos de volume de chamados.

Restrições e Escopo

Dois fatores limitaram significativamente o projeto: prazo e orçamento.

O prazo total para UI e front-end era de aproximadamente 50 dias — com o lançamento vinculado ao evento do Prêmio Curta Mais, onde a nova plataforma seria apresentada. Isso deixava cerca de 20 dias para atuação de design.

O orçamento foi objeto de negociação: o cliente inicialmente propôs permuta por visibilidade, o que era inviável para a Core dado o volume de custos envolvidos. Enquanto esse impasse não foi resolvido, minha atuação ficou restrita — com o prazo correndo. Após acordo, o contrato combinou valor financeiro mais divulgação no evento.

Com essas restrições definidas, ficou claro que redesenhar a plataforma completa e ainda desenvolver novas funcionalidades em 20 dias era inviável. A decisão foi formalizar com o cliente que as novas funcionalidades ficariam para um segundo momento — o redesign cobriria as funcionalidades existentes com a nova identidade visual e os fluxos críticos corrigidos.

Essa negociação de escopo foi minha, e foi necessária para proteger a qualidade da entrega dentro das condições reais do projeto.

Referências e Direção Visual

O presidente do Curta Mais chegou com uma referência clara: o C6 Bank. Para ele, o tema escuro transmitia sofisticação e exclusividade — o que ele buscava para o Clube.

Apresentei uma perspectiva diferente: sofisticação visual está mais associada a tipografia elegante, espaçamento generoso e hierarquia limpa do que necessariamente a fundos escuros. Trouxe como referência o Duo Gourmet e o Mastercard Surpreenda — plataformas de posicionamento premium com abordagens visuais distintas. O cliente manteve a preferência pelo tema dark.

Com o prazo em andamento e a decisão tomada pelo cliente, segui com o tema escuro — adaptando a referência do C6 ao contexto e branding do Curta Mais, em vez de replicá-la diretamente.

O benchmark foi a principal ferramenta de decisão visual. Cada referência gerou uma decisão concreta:

  • C6 Bank → estrutura visual dark, uso de fundos escuros com texto claro, organização do menu superior
  • Mastercard Surpreenda → referência para combinar laranja (cor principal do branding Curta Mais) com fundos escuros, e uso de cantos arredondados em botões e cards
  • Duo Gourmet → componente de FAQ com accordions, estrutura de apresentação das experiências
  • Sympla / Cinemark → referência para o fluxo de resgate e uso de vouchers — sistemas de ticketeria com jornadas bem estabelecidas para esse tipo de interação O perfil de usuário foi estimado a partir do tipo de experiências oferecidas pelo Clube — não havia dados de usuários reais disponíveis dentro do prazo. A estimativa apontava para consumidores entre 25 e 50 anos, classes A, B e com presença de classe C atraída pelos descontos, com alta afinidade digital e preferência por gastar com experiências em vez de produtos.

Decisões de Design

Simplificação do fluxo de voucher

O fluxo anterior exigia cinco interações após o login para exibir o código do voucher. O novo fluxo exibe os vouchers ativos diretamente na tela inicial após o login — o usuário chega ao restaurante, abre o site, faz login e já vê o código e QR Code em tela.

Essa foi a decisão de arquitetura de informação mais impactante do projeto: eliminar atrito em um momento crítico de uso, quando o usuário está no contexto real de consumo da experiência.

Checkout com cartão salvo

Baseado no modelo da Amazon: a plataforma exibe o cartão cadastrado e solicita apenas o CVV para concluir a compra. Abaixo, uma opção para usar outro cartão — que abre o formulário completo. Por definição do cliente, apenas um cartão permanece salvo por conta.

Essa decisão reduziu a fricção no checkout sem comprometer a segurança — o CVV não é armazenado, conforme prática padrão do setor.

Simplificação do cadastro

O formulário de registro foi reduzido às informações com uso real para o produto. Campos que existiam sem finalidade clara foram removidos.

Design system com tema escuro

Construí o UI Kit com suporte nativo ao tema escuro, com a paleta do branding Curta Mais — laranja como cor de destaque sobre fundos escuros — adaptada a partir das referências de benchmark. Defini um icon kit com ícones outline de traço fino, coerentes com o posicionamento visual proposto.

Solução Final

As entregas foram UI Kit completo e protótipo navegável no Figma. O front-end foi desenvolvido por um dev da Core com consultas pontuais sobre aplicações específicas da interface.

O projeto foi entregue dentro do prazo e apresentado no evento do Prêmio Curta Mais conforme planejado. O cliente demonstrou satisfação com o resultado. Não tivemos acesso a dados de uso ou métricas de adesão após o lançamento.

[EVIDÊNCIA PENDENTE] — Impacto na taxa de adesão ou na redução de reclamações de suporte. O declínio mencionado inicialmente pelo cliente não foi acompanhado de dados, e não houve retorno quantitativo após o lançamento.

Aprendizados

Sobre negociação de escopo sob pressão

A tentativa de permuta por visibilidade comprimiu ainda mais um prazo já curto. Aprendi que formalizar o escopo possível — e deixar explícito o que ficaria fora — é uma proteção para o designer tanto quanto para o cliente. Sem isso, o risco é entregar menos do que o esperado sem que as partes tenham concordado com o que era viável.

Sobre decisões do cliente e controle pós-handoff

Defini um icon kit com ícones outline de traço fino, alinhados à proposta visual. Após a entrega, o cliente substituiu parte deles por ícones preenchidos e sem coerência com o sistema. É uma limitação real em projetos fechados: o controle sobre a implementação final pertence ao cliente. O que o designer pode fazer é documentar as decisões com clareza e estabelecer critérios de uso no handoff — o que, nesse caso, não foi suficiente para garantir a fidelidade.

Sobre argumentação visual com clientes

Apresentei referências e argumentos técnicos para uma direção diferente do tema dark. O cliente manteve sua preferência. Não é uma derrota — é o contexto real de trabalho com stakeholders que têm visão formada. O que importa é que o argumento foi apresentado com clareza, registrado, e que a decisão final foi do cliente — não uma omissão do designer.